José Luís Santos | por favor clica aqui

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entrevista.com José Luís Santos

À descoberta das Nanotecnologias…

Químico, 27 anos, José Luís Santos é um jovem investigador português. Desbravando conhecimento na área das nanotecnologias, tem-se distinguido pelo seu trabalho na nanomedicina. Em 2009, recebeu o prémio de melhor comunicação oral no 5.º Simpósio sobre Polímeros. Em exclusivo do Funchal, este jovem cientista conta-nos o seu percurso e desvenda-nos parte do seu trabalho.

O José Luís estudou Química e especializou-se em biotecnologia e química dos materiais. Porque é que escolheu estas áreas?

Estas áreas do conhecimento são de extrema importância, quer para o bem-estar das pessoas, quer para o desenvolvimento das sociedades. Escolhi trabalhar nestas áreas, porque gosto muito de estudar a química dos materiais e a sua relação com sistemas biológicos; por exemplo, compreender a interacção de células humanas com materiais modificados quimicamente para aumentar a sua capacidade de regeneração de órgãos ou tecidos danificados.

Quando é que decidiu que queria ser cientista?

Tudo se encaminhou ao longo do curso. Inicialmente estava mais direccionado para trabalhar num laboratório. Contudo, com o passar dos anos, e também devido às condições na altura, achei por bem continuar os meus estudos.

Na sua opinião, quais são as principais características e competências que um cientista deve ter?

Certamente são muitas. Gostaria apenas de salientar algumas, que aprendi com outras pessoas, de outros países: a criatividade, uma boa capacidade de trabalho, a motivação, a persistência, a habilidade para ultrapassar obstáculos.

Qual a relação entre a Ciência e a Tecnologia e porque são elas fundamentais para a Europa?

A Tecnologia é normalmente o encontro entre a Ciência e a Engenharia. Muitas das tecnologias desenvolvidas, nos dias de hoje, devem-se a necessidades encontradas nos ramos das ciências. Ambas são importantes para manter a Europa na rota do desenvolvimento tecnológico e mesmo social. Só desta forma poderemos acompanhar a evolução de outros países (Estados Unidos, Japão, Índia ou China).

O José Luís tem desenvolvido projectos de investigação na área da nanomedicina. Pode explicar-nos em que consiste?

A nanomedicina remete para a aplicação da nanotecnologia à medicina. Em suma, consiste na aplicação de nanopartículas e outros elementos para diagnosticar, prevenir ou mesmo curar determinados tipos de doenças. Estes nanorobôs ou nanopartículas possuem características físico-químicas muito peculiares, que os distinguem de todos os outros materiais. O seu tamanho é um milhão de vezes mais pequeno do que um milímetro! Nos projectos de investigação em que tenho estado envolvido, estamos a tentar desenvolver materiais para libertar ADN dentro de células estaminais mesenquimatosas.

Imagem a 3D de uma macromolécula chamada dendrímero, utilizada em biotecnologia (dendrímero PAMAM Geração n.º 5).

Estes materiais, conhecidos como dendrímeros (moléculas nanoestruturadas), são capazes de se ligar ao ADN e transportá-lo até ao interior das células (terapia génica). O ADN pode conter genes que podem dar origem a uma determinada proteína que poderá ter um efeito terapêutico. Com esta terapia, espera-se substituir a utilização de proteínas recombinantes ou factores de crescimento, que são muito caros e dispendiosos. As células estaminais mesenquimatosas são fáceis de obter e possuem características únicas, como a capacidade para criar vários tipos de células com funções específicas (osteoblastos, condrócitos). Com a combinação da terapia génica com as propriedades destas células, espera-se que o processo de regeneração de um órgão ou tecido danificado seja mais rápido.

Qual o impacto da nanomedicina na saúde dos cidadãos?

A nanomedicina é uma área de investigação relativamente recente, pelo que o número de aplicações no momento é ainda limitado. Vários materiais com propriedades antimicrobianas, contendo nanocristais de prata incorporados, por exemplo, são já usados para o tratamento de feridas. Espera-se também que, com a aplicação da nanotecnologia na medicina, seja possível fazer diagnósticos precoces a vários tipos de doenças, combater células cancerígenas etc., ou seja, aumentar a qualidade de vida das pessoas.

Foi galardoado recentemente com o prémio de melhor apresentação oral num encontro europeu de Biopolímeros. O que são estes materiais e qual a sua importância?

Os biopolímeros são polímeros produzidos por organismos vivos. A celulose, o amido, as proteínas e os péptidos, o ADN e o ARN são exemplos de biopolímeros, em que as suas unidades monoméricas são os açúcares, os aminoácidos e os nucleotídeos, respectivamente. Os biopolímeros são extremamente importantes, pois alguns deles podem, por exemplo, ser usados como plásticos, substituindo o uso de plásticos à base de poliestireno ou polietileno que, como sabemos, não são biodegradáveis. Relativamente à área da saúde, estes biopolímeros podem ser utilizados para libertação local de drogas e para o aumento da regeneração tecidual (ex.: caso de uma queimadura).

Na sua opinião, qual o papel da imaginação, da criatividade e da inovação na ciência?

para aumentar clica na imagem

Poderíamos dizer que sem imaginação, criatividade e inovação não haveria ciência. O uso da imaginação e da criatividade são marcas distintivas da actividade científica. Permitem-nos imaginar, por exemplo, que tipo de interacção poderá existir entre materiais e órgãos ou mesmo células. A inovação é importante, pois apenas os projectos científicos com muita qualidade e inovadores são financiados pelas entidades competentes (governo ou companhias).

Ao longo dos últimos 5 anos, desenvolveu um projecto chamado A Química é Divertida. Porque é que considera esta área do conhecimento humano divertida?

A Química é Divertida é um projecto que tem sido desenvolvido pelo Centro de Química da Madeira, com o objectivo de mostrar aos mais novos como esta ciência é importante no nosso dia-a-dia e como nos podemos divertir com ela. Basta olharmos para o que fazemos na cozinha. Quando cozinhamos um bolo ou um pão, usamos o fermento (constituído por bicarbonato de sódio (NaHCO3) e ácidos orgânicos) que irá fazer a massa crescer e ficar mais fofa e com uma textura mais agradável. Neste caso, acontece uma reacção química do bicarbonato de sódio com o aumento da temperatura, dando-se uma libertação de dióxido de carbono (gás) e água. O dióxido de carbono faz com que o volume da massa aumente e quando todo o bicarbonato reagir, a reacção acaba.

Qual o maior conselho que pode dar a jovens que, como no seu caso, gostariam de ser cientistas e investigadores?

O maior conselho que deixo aos mais jovens, que como eu queiram fazer pesquisa, é que, independentemente da área que escolherem, têm de se dedicar e gostar realmente do que estão a fazer.

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