Javier Pérez | por favor clica aqui

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entrevista.com Javier Pérez

A Energia Solar ao serviço dos nossos telemóveis

Engenheiro e empresário, com 28 anos, Javier Pérez é um jovem empreendedor europeu que, a partir de Espanha, inventou e comercializou pequenas placas solares para carregar baterias. De forma aberta, franca e realista, Javier Pérez conta-nos a sua experiência pelo admirável mundo da energia solar.

O Javier Pérez criou, no seu projecto de fim de curso na Universidade Politécnica da Catalunha (UCP), em Espanha, pequenas placas solares para carregar baterias. Pode dizer-nos como surgiu esta ideia?

A ideia surgiu em 2002, no meu projecto final de curso quando estava a trabalhar especificamente em painéis concentradores. Fez-se uma comparação entre os painéis tradicionais e um painel concentrado que construí, verificando-se que o rendimento aumentava em cerca de 80 %. A partir daí, em 2005, apresentámos o nosso projecto ao Programa Innova, um concurso de ideias e negócios da UCP, e percebemos que o projecto inicial do painel concentrador não era viável do ponto de vista comercial, pelo que procurámos separar as placas de forma a que pudessem aquecer-se entre si. Graças a este procedimento, fomos galardoados com o segundo prémio do Programa Innova 2005, o que nos motivou a prosseguir com este projecto.

A estas placas deu o nome de ClickCells. Para que servem?

As ClickCells são placas solares, capazes de se combinarem umas com as outras, permitindo na prática múltiplas utilizações.
A ideia principal que está na base deste produto foi a de poder adaptar a arquitectura actual aos painéis solares, e não o contrário. Mas, como é óbvio, desta ideia derivaram outros usos, até para nos precavermos da situação de este sistema não ter o sucesso que desejávamos, tendo em conta os hábitos e os custos de aplicação das placas. Assim, a nível doméstico, estas placas foram adaptadas, podendo ser fontes de energia em kits de iluminação ou de rega para hortas urbanas, ou ainda como o nosso produto estrela, o carregador solar para telemóveis.

Foi ao ganhar o segundo prémio do Programa Innova que teve a ideia de criar uma empresa que comercializasse estas placas?

Ao ganhar este prémio, pudemos solicitar apoio ao Programa Génesis, que nos permitiu construir alguns protótipos do produto e fazer um estudo de mercado aprofundado. Esta ajuda incentivou–nos a criar uma empresa, a Nousol, e foi também nessa altura que patenteámos estas placas, dando-lhes o nome de ClickCells. Para além da fabricação e da distribuição deste produto, também oferecemos soluções de material de energia solar fotovoltaica, que é um complemento ao nosso produto estrela.

A sua empresa, a Nousol, criada em 2007, comercializa as ClickCells, nomeadamente para países africanos. Porquê este continente?

O carregador solar para telemóveis é uma necessidade em África. Em muitos países africanos, mais de 50 % da população já dispõe de uma rede telefónica móvel, mas depara-se com o inconveniente de não ter onde carregar os seus telemóveis. Aliás, imensos africanos chegam a ter de fazer quilómetros, ou a ter de pagar àqueles que têm geradores para poderem carregar os seus telemóveis. Por isso nos centrámos neste continente. Estamos em fase de expansão e em busca de distribuidores em muitos destes países. O que é certo é que o produto está a ser muito bem aceite dada a sua fiabilidade e durabilidade de 25 anos.

O Javier é um exemplo de um jovem empeendedor espanhol que aliou a sua investigação na faculdade ao mundo empresarial. Qual é o balanço que faz desta sua iniciativa?

A verdade é que não é nada fácil ser empreendedor, e penso que as administrações estatais poderiam apoiar mais, sobretudo quando os bancos parecem fechar as torneiras, pelo menos aqui, em Espanha. O começo é o mais difícil, pois é preciso sacrificar muito tempo e dinheiro na empresa, para além de valentes dores de cabeça! Somos uma empresa de inovação e desenvolvimento com um forte potencial de crescimento, e de certa forma estamos a criar novos postos de trabalho.

Na sua opinião, qual é o papel da criatividade e da inovação para a Europa?

Penso que a criatividade e inovação serão, na Europa, cada vez mais importantes para as empresas. O know how e as patentes são, sem dúvida, os aspectos mais poderosos na Europa. Muitos produtos inovadores saem da Europa e são logo fabricados por outros países com menores custos de produção, aproveitando as economias de escala. A Europa tem de ser uma fábrica de ideias, se quer continuar a competir com o resto do mundo.

Como se concilia a protecção do ambiente com a economia?

O principal factor é que os governos tenham a iniciativa de proteger o ambiente, sendo este apoio fundamental em questões de contaminação e conservação do meio ambiente. Muitas iniciativas ecológicas são boas, mas não se alicerçam numa base sólida, acabando, vezes de mais, por ter uma menor repercussão. As iniciativas particulares para evitar o consumo excessivo de energia como, por exemplo, a substituição de lâmpadas normais por lâmpadas de baixo consumo, são fundamentais para a conservação. Esta é uma iniciativa simples e privada que pode ser promovida pelo Estado, como o que aconteceu aqui, em Espanha. O governo ofereceu a todas os lares espanhóis uma lâmpada de baixo consumo. Isto fez com que as pessoas começassem a trocar todas as lâmpadas das suas casas, conseguindo poupar até 80 % nas suas facturas de electricidade.
Por vezes, nos países em desenvolvimento, é difícil impedir que cresçam tendo em conta o meio ambiente. Contudo, é preciso não esquecer que, por exemplo, a China e os Estados Unidos, que estão longe de ser países pobres, são actualmente os maiores produtores de CO2 no mundo.

Qual o seu principal conselho para os jovens que, como no seu caso, têm ideias inovadoras?

Encorajo todos os jovens a tomarem a iniciativa e a inovarem nas suas áreas de eleição. Mesmo nos casos em que aquele produto ou serviço não se caracterize especificamente pela inovação, há sempre coisas que podemos melhorar, e isso pode conduzir a uma vantagem competitiva. Também alerto para o facto de, muitas vezes, ao se montar um negócio correr-se o risco de que as coisas não resultem. Por essa razão, recomendo que façam um plano da empresa e que o apresentem a entidades de apoio aos empreendedores ou a investidores, para que vos dêem a sua opinião. Também existem concursos de ideias, pelo que aproveitem-nas e apresentem os vossos projectos! Lembrem-se de que se tiverem uma boa ideia, acompanhada de um bom plano de negócio, será muito mais fácil começar.
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