Maria Geraldes | por favor clica aqui

___________________________________________________________________

entrevista.com Maria Geraldes

Os Jovens Cientistas Europeus

Gostarias de, um dia, vir a participar no Concurso Europeu para Jovens Cientistas? Prepara-te, desde já, e descobre o que é esta iniciativa e como funciona. Maria Geraldes, directora-geral da Fundação da Juventude, entidade sediada no Porto e responsável pela organização deste concurso em Portugal, há mais de 17 anos, abre-nos as portas e acompanha–nos numa visita onde ser jovem, ser criativo, e ser inovador, compensa.

A Dra. Maria Geraldes dirige a Fundação da Juventude, entidade responsável pela organização, a nível nacional, do Concurso Europeu para Jovens Cientistas e Investigadores. Pode explicar-nos em que consiste este concurso?

O Concurso Jovens Cientistas e Investigadores vai já na sua 18.ª edição e destina-se a premiar, a nível nacional, trabalhos realizados por jovens, entre os 15 e os 20 anos, preferencialmente a frequentar o ensino secundário ou profissional (equivalente), em todos os países da União Europeia.

Quais os objectivos desta iniciativa?

Este concurso tem como objectivo promover os ideais da cooperação e do intercâmbio entre jovens cientistas e investigadores, e estimular o aparecimento de jovens talentos nas áreas da Ciência, da Tecnologia, da Investigação e da Inovação. Pretende incentivar o espírito de competição saudável nos jovens, através da realização de projectos científicos inovadores, integrados na escola.

Quem pode concorrer?

Podem concorrer jovens que frequentem o Ensino Básico e Secundário. Os trabalhos podem ser individuais ou em grupo (no máximo três elementos), e devem ser concluídos antes da entrada no Ensino Superior.

Os projectos apresentados devem estar incluídos em alguma área de estudo específica?

Os trabalhos devem enquadrar-se numa das seguintes áreas científicas: Biologia; Ciências da Terra; Ciências do Ambiente; Ciências Médicas; Ciências Sociais; Economia; Engenharias; Física; Informática/Ciências da Computação; Matemática e Química.

Como se processa a selecção desses projectos?

A selecção dos projectos processa-se em duas fases: a primeira, decorre da avaliação do relatório escrito, e a segunda, de entrevistas durante a Mostra Nacional de Ciência.
Depois de submetidos por via electrónica, os trabalhos são avaliados pelo Júri do Concurso. Nesta avaliação, tem-se em conta, para além dos indicadores de raciocínio, de apresentação e de experimentação dos projectos, o nível educacional de cada concorrente, a sua criatividade, bem como, a originalidade e a clareza do projecto. Posteriormente, é publicada a lista de trabalhos seleccionados para participar na Mostra Nacional de Ciência. Neste evento, cada projecto é apresentado em poster ou noutro material, e cada participante é entrevistado pelo Júri. A selecção final e atribuição dos Prémios resulta, assim, de um trabalho articulado e meticuloso, respeitando uma grelha de avaliação preestabelecida e aprovada por todos os membros do Júri, de forma a permitir uma avaliação justa e com base nos mesmos critérios.

para aumentar clica na imagem

O Júri selecciona, de entre os projectos premiados a nível nacional, aqueles que irão representar Portugal na Final Europeia, de acordo com as regras estabelecidas pela Comissão Europeia, e tendo em atenção a especificidade das temáticas dos diferentes certames.

Quais as grandes vantagens para os jovens, em concorrer a este tipo de iniciativa?

A grande vantagem é participar num certame de elevado mérito científico, de nível Europeu, sendo uma oportunidade única para os jovens cientistas portugueses de apresentarem os seus projectos, em língua inglesa, de serem confrontados com outros projectos de outros jovens, de verem projectadas a nível internacional as suas expectativas e capacidades científicas, que lhes serão úteis no seu futuro académico e profissional.

A Fundação da Juventude organiza esta iniciativa há 17 anos. Qual o balanço que faz deste concurso e dos seus resultados?

O balanço é muito positivo. Ao longo das últimas 17 edições participaram neste Concurso cerca de 5 000 jovens cientistas, 800 projectos e 450 professores coordenadores. A nível internacional, os projectos apresentados por jovens cientistas portugueses já conseguiram alcançar vários prémios, permitindo-nos elevar os níveis de qualidade da investigação juvenil em Portugal e aproximar as escolas ao meio.

Em 2010, Portugal recebe, em Lisboa, a 22.ª edição deste concurso. Pode dizer-nos em que consiste este evento?

A Final Europeia do Concurso Europeu para Jovens Cientistas é uma iniciativa da Comissão Europeia que reconhece e premeia os melhores jovens talentos na área científica na Europa. O evento reúne os melhores jovens cientistas europeus, e tem como objectivo principal despertar nos jovens a vontade de ingressar em carreiras ligadas à Ciência, Investigação e Inovação. Por outro lado, promove o intercâmbio entre os jovens cientistas de toda a Europa. Este Concurso tem permitido, ao longo dos anos, desenvolver uma comunidade científica jovem, tem gerado muito entusiasmo e gosto dos jovens pela ciência, tendo as Finais Europeias contribuído com grande impacto nas suas carreiras académicas e profissionais.
A Final Europeia vai decorrer de 24 a 29 de Setembro de 2010, em Lisboa, no Museu da Electricidade, contando a Fundação da Juventude receber cerca de 90 projectos, realizados por cerca de 200 jovens cientistas, 18 membros do júri europeu e 35 jornalistas da Europa. Durante os 5 dias, a Fundação da Juventude vai procurar, ainda, mostrar o que de bem se faz em Portugal na área da investigação e de ciência, organizar conferências temáticas de interesse em Investigação e Desenvolvimento (I&D) e dar a conhecer a realidade cultural da região de Lisboa e Vale do Tejo.

Na sua opinião, qual a importância da ciência e da tecnologia para a Europa e para Portugal?

Apostar no conhecimento tem de ser o grande desafio da Europa e de Portugal. Recursos humanos bem formados, motivados e participativos reforçarão os sistemas democráticos, e elevarão o potencial de competitividade. Ao privilegiar o intercâmbio e o desenvolvimento de práticas de investigação conjuntas, atingiremos uma maior identidade científica do espaço europeu. Reforçando o capital científico e humano europeu, criaremos novos produtos e novos negócios, mais amigos da Europa e do Ambiente.

Pode dar-nos exemplos de projectos que foram seleccionados no passado? Qual o impacto que este concurso teve na vida destes jovens?

O caso do Carlos Arsénio é um bom exemplo, já que, quando participou no Concurso, em 2004, só pretendia terminar o 12.º ano na Escola Profissional de Sicó, distrito de Leiria, e começar a trabalhar. Mas a motivação foi tanta, que decidiu seguir para o Ensino Superior e, hoje, é licenciado em Engenharia Electrotécnica, com média de 18, estando a terminar o seu estágio profissional numa empresa, onde ficará a trabalhar. No Concurso de 2004, o Carlos obteve o 1.º lugar a nível nacional, com o projecto “Robô Insecto”. Representou Portugal na Final Europeia, na Suécia, na 19.ª Mostratec, no Brasil, e em 2005 participou na IntelISEF, nos EUA.

Outro caso bastante interessante é o do João Cortes, do José Fernandes e da Rita Domingos, todos alunos da Escola Secundária de Odemira, que em 2002 obtiveram o 1.º prémio, com o projecto “Microtus cabrerae”. Estes 3 jovens representaram Portugal na Final Europeia, na Áustria, onde obtiveram o prémio “Alumni Prize”, o qual foi atribuído ao projecto com melhor apresentação visual e oral. Estes jovens referem que a participação neste certame ficará, para sempre, marcada nas suas memórias, pois conheceram famosos Prémios Nobel da Ciência, participaram em Palestras, workshops e discussões com grandes mentes da ciência mundial. O João licenciou-se em Engenharia Agronómica e iniciou recentemente o doutoramento na cultura da vinha. A Rita licenciou-se em Fisioterapia e não tem mãos a medir na sua área de trabalho. O José está a terminar o mestrado em Engenharia.

O caso mais recente (2008) é o da Ana Beatriz Moreira, aluna da Escola Secundária de Arouca, do Sérgio Almeida e do Vasco Sá Pinto, alunos da Escola Secundária D. Dinis de Ovar, que obtiveram o 1.º prémio, com o projecto “A ameaça xenobiótica e a barrinha de Esmoriz”. Estes 3 jovens cientistas representaram Portugal na Final Europeia de 2008, na Dinamarca, na qual obtiveram o Prémio do Clima (The Climate Prize), o qual lhes permitiu participar na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, em Dezembro de 2009, em Copenhaga. Actualmente, estes 3 jovens estão a frequentar o Ensino Superior, estando a Ana Beatriz em Farmácia, o Sérgio em Engenharia e o Vasco em Medicina.

Fotografias cedidas pela Fundação da Juventude

___________________________________________________________________

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: